
Estava a assistir novamente essa semana ao documentário vencedor de Sundance "DiG!" (2004), de Ondi Timoner, sobre a trajetória paralela de duas bandas cult americanas, The Dandy Warhols e The Brian Jonestown Massacre, durante um período de sete anos, entre 1996 e 2003. Ambas as bandas são fortemente influenciadas pelo som dos anos 60, particularmente o Velvet Underground (no caso do Dandy Warhols) e os Rolling Stones (além de ter um som claramente pastiche, o BJM chegou a lançar um disco entitulado "Their Satanic Majesties' Second Request", conceitualmente uma sequência ao clássico álbum dos Stones, de 1967), e eram considerados na época do iníco das filmagens as próximas grandes bandas alternativas americanas a estourar.
Como o doc mostra, a primeira banda a conseguir uma chance no mainstream foi o Dandy Warhols, graças ao single "Not If You Were The Last Junkie On Earth", que teve clipe dirigido pelo fotógrafo superstar David LaChapelle. Contudo, as vendas não corresponderam às expectativas da gravadora, e a banda achou que estava sendo mal promovida. Enquanto isso, o BJM sofria com a obscuridade, vícios em drogas e o ego mastodôntico de seu líder, o vocalista/multi-instrumentista Anton Newcombe. Newcombe se considerava um deus do rock, no nível de Lennon e McCartney, e pregava uma revolução que não precisaria da ajuda do mainstream. Falava que os Beatles conseguiram fazer seus melhores discos sem interferência da gravadora, e por isso, ele devia compartilhar do mesmo privilégio, por se considerar do mesmo patamar.
Em um ponto, o BJM consegue uma oportunidade de mostrar a executivos de gravadora seu valor, mas o vocalista, insatisfeito com o nível em que os outros integrantes tocavam, iniciou uma briga antológica, que foi referenciada em um episódio de Gilmore Girls, com direito a participação do integrante do BJM Joel Gion, o dito Porta-voz da Revolução. O resto do filme acompanha turnês fracassadas, brigas internas no BJM (sempre entre Anton e algum integrante, principalmente o baixista Matt Hollywood) e um episódio particularmente preocupante quando os integrantes do Dandy Warhols recebe uma caixa de cartuchos de escopeta com seus nomes escritos em cada cartucho, mandada por Newcombe.
Quando o BJM finalmente tem uma chance de sair do underground e quebrar a barreira do mainstream ao assinar com uma gravadora, o vício em heroína afunda Anton Newcombe e os integrantes do BJM em um poço de isolação e paranóia, quase arruina a carreira da banda e destroçando sua formação. A culminação disso é um show em que Matt Hollywood abandona a banda de vez no meio de um show após uma discussão com Newcombe.
E o Dandy Warhols? Aproveitando sucesso na Europa, eles faziam turnês e viviam a vida de rockstar que sempre quiseram, consumindo quantidades copiosas de drogas (desde o início as drogas são bem presentes neste doc) e saindo ilesos de tudo. Seus discos "Thirteen Tales from Urban Bohemia" (2000) e "Welcome to the Monkey House" foram sucessos de vendas na Europa, puxados pelos singles "Boohemian Like You" e "We Used To Be Friends", de cada álbum, respectivamente.
Ao final do filme, encontramos cada banda em um ponto oposto da estrada do sucesso. Os Dandys têm o sucesso, o BJM, não. Anton Newcombe é proibido de ver o filho pela mãe e seu pai, alcoólatra e esquizofrênico, se mata no aniverário do filho em 2002, pouco depois de dar uma entrevista para o documentário.
Hoje em dia, ambas as bandas são notórias mais pelo doc do que pela música que fazem. O Dandy Warhols falhou em repetir o sucesso dos discos mencionados, e o BJM continua sendo regido pela mão de ferro de Anton Newcombe, que vive aparecendo polemicamente na mídia musical.
Estou ouvindo:
Blur – 13
The Streets – Original Pirate Material
Parabéns pelo blog. Está muito bom! =D
ResponderExcluirEstou ansioso pelos próximos posts.
Abração!