quarta-feira, 20 de maio de 2009

Por que chamam a maior vilã do rock de heroína?


Estava a assistir novamente essa semana ao documentário vencedor de Sundance "DiG!" (2004), de Ondi Timoner, sobre a trajetória paralela de duas bandas cult americanas, The Dandy Warhols e The Brian Jonestown Massacre, durante um período de sete anos, entre 1996 e 2003. Ambas as bandas são fortemente influenciadas pelo som dos anos 60, particularmente o Velvet Underground (no caso do Dandy Warhols) e os Rolling Stones (além de ter um som claramente pastiche, o BJM chegou a lançar um disco entitulado "Their Satanic Majesties' Second Request", conceitualmente uma sequência ao clássico álbum dos Stones, de 1967), e eram considerados na época do iníco das filmagens as próximas grandes bandas alternativas americanas a estourar.

Como o doc mostra, a primeira banda a conseguir uma chance no mainstream foi o Dandy Warhols, graças ao single "Not If You Were The Last Junkie On Earth", que teve clipe dirigido pelo fotógrafo superstar David LaChapelle. Contudo, as vendas não corresponderam às expectativas da gravadora, e a banda achou que estava sendo mal promovida. Enquanto isso, o BJM sofria com a obscuridade, vícios em drogas e o ego mastodôntico de seu líder, o vocalista/multi-instrumentista Anton Newcombe. Newcombe se considerava um deus do rock, no nível de Lennon e McCartney, e pregava uma revolução que não precisaria da ajuda do mainstream. Falava que os Beatles conseguiram fazer seus melhores discos sem interferência da gravadora, e por isso, ele devia compartilhar do mesmo privilégio, por se considerar do mesmo patamar.

Em um ponto, o BJM consegue uma oportunidade de mostrar a executivos de gravadora seu valor, mas o vocalista, insatisfeito com o nível em que os outros integrantes tocavam, iniciou uma briga antológica, que foi referenciada em um episódio de Gilmore Girls, com direito a participação do integrante do BJM Joel Gion, o dito Porta-voz da Revolução. O resto do filme acompanha turnês fracassadas, brigas internas no BJM (sempre entre Anton e algum integrante, principalmente o baixista Matt Hollywood) e um episódio particularmente preocupante quando os integrantes do Dandy Warhols recebe uma caixa de cartuchos de escopeta com seus nomes escritos em cada cartucho, mandada por Newcombe.

Quando o BJM finalmente tem uma chance de sair do underground e quebrar a barreira do mainstream ao assinar com uma gravadora, o vício em heroína afunda Anton Newcombe e os integrantes do BJM em um poço de isolação e paranóia, quase arruina a carreira da banda e destroçando sua formação. A culminação disso é um show em que Matt Hollywood abandona a banda de vez no meio de um show após uma discussão com Newcombe.

E o Dandy Warhols? Aproveitando sucesso na Europa, eles faziam turnês e viviam a vida de rockstar que sempre quiseram, consumindo quantidades copiosas de drogas (desde o início as drogas são bem presentes neste doc) e saindo ilesos de tudo. Seus discos "Thirteen Tales from Urban Bohemia" (2000) e "Welcome to the Monkey House" foram sucessos de vendas na Europa, puxados pelos singles "Boohemian Like You" e "We Used To Be Friends", de cada álbum, respectivamente.

Ao final do filme, encontramos cada banda em um ponto oposto da estrada do sucesso. Os Dandys têm o sucesso, o BJM, não. Anton Newcombe é proibido de ver o filho pela mãe e seu pai, alcoólatra e esquizofrênico, se mata no aniverário do filho em 2002, pouco depois de dar uma entrevista para o documentário.

Hoje em dia, ambas as bandas são notórias mais pelo doc do que pela música que fazem. O Dandy Warhols falhou em repetir o sucesso dos discos mencionados, e o BJM continua sendo regido pela mão de ferro de Anton Newcombe, que vive aparecendo polemicamente na mídia musical.

Estou ouvindo:

Blur – 13
The Streets – Original Pirate Material

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Police e Elvis Costello assistindo aos detetives...



Ontem à noite eu estava passando pelos canais e me deparei com essa edição do ótimo programa de entrevistas do meu ídolo mor, Elvis Costello. Nela, ele entrevista o Police, e é visível o quanto Sting se irrita com Stewart Copeland. Não me surpreendo quando eles falam que o Police acabou, porque pelo visto, Sting não aguenta mais ninguém. E ninguém mais aguenta ele. A apresentação é sensacional, contudo.

Estou ouvindo:

Animal Collective – Merriweather Post Pavillion (2009)

domingo, 17 de maio de 2009

Resposta ao meu companheiro andré



Muita gente escreve em blogs atualmente, quase todas sobre si. Por isso, meu primeiro post será desavergonhadamente sobre quem é Pedro Hollanda. Inspirado no post mais recente do meu grande amigo André Bacil, eu vou seguir a máxima de Rob Fleming: "Não é sobre quem é você, masi sim do que você gosta". Apesar de eu não concordar muito com essa máxima, aí vão minhas preferências:


1) Música: Elvis Costello

Eu devo admitir uma incrível tietagem que eu tenho por este senhor
inglês, especialmente pelo disco de estréia dele, "My Aim Is True", de 1977. Este é, sem sombra de dúvida, meu disco preferido e minha principal influência como compositor. Sim, eu componho, mas este post não é sobre quem eu sou. Elvis demostrou durante toda sua carreira um domínio excepcional da língua e da música pop em geral, pois ele fez alguns dos melhores discos de puro pop desde os Beatles. Tanto que, quando a revista Rolling Stone fez a sua lista dos 100 maiores artistas da história do rock, Elvis estava na lista como um dos imortais e como um dos autores convidados. Foi ele quem teve a honra de escrever o texto sobre os Beatles que, en passant, é um ensaio muito bem escrito sobre um grupo único.

Em um artigo sobre Elvis na revista Piauí, o artista reduz todo o processo de composição pop ao seguinte:

"Para compor canções, há uns cinco assuntos: Eu deixei você; Você me deixou; Eu quero você; Você não me quer; Acredito em alguma coisa. Cinco temas e doze notas. Mesmo assim, nós músicos até que nos saímos muito bem."
(Piauí 10/julho 2007)

Desde sua estréia, Elvis sempre demonstrou um conhecimento sobre as relações humanas que faz um paralelo como nosso grande Chico Buarque. Preciso dizer mais?


2) Cinema: Stanley Kubrick

Concordo com o meu amigo André em dar destaque a este senhor. Eu cresci na mesma casa que um tio cinéfilo, então eu fui exposto a filmes clássicos desde que me lembro (algo nem sempre bom, visto que eu assisti "O exorcista" pela primeira vez aos 5 anos de idade). Só que eu descobri Kubrick quando ele morreu. Eu conhecia alguns de seus filmes, como "Nascido para Matar" e "Spartacus", que eu achava sensacionais, mas quando eu vi "2001: Uma Odisséia no Espaço", minha vida mudou. Não me lembro quem me mostrou esse filme primeiro, mas eu sei que chorei de arrebatamento ao vê-lo pela primeira vez. Nenhum cineasta chega perto dele, pois ele criou filmes clássicos em diversos gêneros. "2001" é o filme definitivo de espaço. "Laranja Mecânica" é a ficção futurista mais influente da história do cinema. "Dr. Fantástico" é um dos filmes mais engraçados da história, sem falar que é uma das mais ácidas críticas à Guerra Fria e que foi o melhor filme de Peter Sellers. "O Grande Golpe" é um dos melhores filmes de assalto de todos os tempos. "O iluminado" é um dos filmes de terror mais desconcertantes da história. "Spartacus", "Nascido para Matar", "Lolita"... o cara só fez clássico.

Só que "2001" é sem dúvida o melhor


3) Literatura: James Joyce

O cara transformou o cotidiano em épico, para mostrar como épicos são besteira. Ele abre um de seus romances com impressões de consciência de um bebê. Ele escreveu o livro mais denso e difícil de traduzir da história, de tantos trocadilhos e truques linguísticos que ele coloca em seu texto. Ele é o Deus da literatura moderna, junto com Proust. Seu maior clássico, "Ulisses", inspirou fãs de todo o mundo a peregrinar no dia 16 de junho (aniversário do meu irmão mais velho, by the way) para Dublin e seguir os passos de Leopold Bloom no seu épico dia comum.

Eu não me atrevo a escrever mais do que isso porque qualquer coisa que eu escreva será fichinha perto da obra em si. Para aqueles que quiserem ler Joyce, comecem por sua coletânea de contos, "Dublinenses".

acho que por agora é só.

Estou ouvindo:

Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix (2009)
Wilco – Wilco (The Album) (2009)